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Debo a mi buen amigo (y gran chef) Rafa Costa e Silva (Lasai**, Rio de Janeiro) la muy atinada sugerencia de visitar Velho Adonis, este boteco o botequim (taberna tradicional carioca) inscrito desde los años 50 del pasado siglo entre lo más ilustrado (y frecuentado) de la cocina portuguesa de cantina en la capital brasileña. Y vaya…

“Si es o no invención moderna, vive Dios que no lo sé, pero delicada fue la invención de la taberna“.
Baltasar de Alcázar

En efecto, fue en 1952 cuando un emigrante portugués originario de Oporto abrió el local, que hizo fortuna a base de potentes recetas lusas de bacalao y chopps (cañas) de su tirador de cerveza -Brahma- artesano esculpido en bronce. Mas fue en 2019 cuando João Paulo Campos, empresario nordestino, bregado en restaurantes de lujo como maître y gestor, lo rescató del olvido, le dio un twist a la cocina siguiendo su originaria filosofía luso-brasileña y hasta recuperó (había sido robado) el famoso grifo de cerveza, que hoy sigue sirviendo las probablemente mejores cañas de la ciudad.

Velho Adonis. Rio de Janeiro. Brasil. Fotos: Xavier Agulló.
Velho Adonis. Rio de Janeiro. Brasil. Fotos: Xavier Agulló.

No importa la lejana localización del Velho Adonis en Benfica (al norte de Rio, en el fin del mundo, aunque a pocos minutos del monumental mercado central Cadeg), ni que las esperas sean largas y promiscuas tanto en la atestada terraza como en el calenturiento interior, porque el personal, de tremenda eficacia, no para de servirte cervezas y petiscos hasta conseguir la anhelada mesa. Hay que ver cómo se pone el local (vide fotos)… Da igual llegar a las 12 que a las 15 horas, el deseo tumultuoso no cede en esta esquina improbable.

En la barra, aguardando… Vamos a por una de las insignias culinarias del establecimiento, el pulpo con bacon, puro canalleo de mantequilla, aceite, limón y cilantro. Estupendo en cocción y arrebato. Me whatsapea el chef Thomas Troisgros y me aconseja con pasión los mejillones con mantequilla ‘escargot’ (a la bourguignonne: cebolla, ajo, perejil…) y, cierto, una receta para no olvidar.

Velho Adonis. Rio de Janeiro. Brasil. Fotos: Xavier Agulló.
Velho Adonis. Rio de Janeiro. Brasil. Fotos: Xavier Agulló.

El fragor, las risotadas, las fuentes inacabables y el vértigo birrero recrean una kermesse que arrastra a la gourmanderie sin control. Es el momento de atacar el bacalao, uno de los grandes ejes de la taberna. Evito la receta más opulenta, el Zé do Pipo, una animalada con leche, patata y mahonesa (volveré), y, por indicación de Campos, vamos hacia el ‘lagareiro’, el más tradicional de la casa, un monumento frito, con ese punto bribón de sal -algo que se nos ha escamoteado en aras de la sutileza en la cocina más refinada- y acompañado de verduras (brócoli, cebolla, patatas, ajo, huevo duro, aceitunas negras y hasta palmitos). Una fiesta.

¡Hola! Joao Pablo no quiere que me vaya sin probar su famosa ‘rabada’ (rabo de buey), pura tradición brasileña, de equilibrada robustez. Y todavía, por capricho, el pulpo con la misma receta que el bacalao, por qué no.

Es necesaria una escuela de codazos y contorsiones para salir del lugar -que sólo ha costado unos 25 euros por persona- y aun traspasar la muralla humana agolpada jovialmente en la veranda para volver al pesado sol de invierno de Rio.

Velho Adonis
R. São Luiz Gonzaga, 2156
Benfica, Rio de Janeiro (Brasil)
Teléfono: (21) 2026 4186
Cierra Lunes
Precio medio: 25 €

Velho Adonis, elogio da taberna luso-carioca no Rio de Janeiro (VERSAO EM PORTUGUES)

Devo ao meu bom amigo (e grande chef) Rafa Costa e Silva (Lasai**, Rio de Janeiro) a sábia sugestão de visitar o Velho Adonis, esse boteco ou botequim que, desde a década de 1950, é um dos mais ilustres (e frequentados) da cozinha de cantina portuguesa na cidade brasileira. E uau…

“Se é ou não uma invenção moderna, Deus sabe que eu não sei, mas delicada foiu a invenção da taberna”.
Baltasar de Alcázar

De fato, foi em 1952 que um emigrante português do Porto abriu o local, que fez sua fortuna com base em potentes receitas portuguesas de bacalhau e chopps (cervejas) de seu puxador de cerveja artesanal – Brahma – esculpido em bronze. Mas foi em 2019 que João Paulo Campos, um empresário nordestino, que já trabalhou em restaurantes de luxo como maître e gerente, resgatou o local do esquecimento, deu uma repaginada na cozinha seguindo sua filosofia original luso-brasileira e até recuperou (havia sido roubada) a famosa torneira de chope, que hoje continua servindo provavelmente as melhores cervejas da cidade.

Não importa a localização distante do Velho Adonis, em Benfica (zona norte do Rio, no fim do mundo, mas a poucos minutos do monumental mercado central Cadeg), nem que as esperas sejam longas e promíscuas tanto no terraço lotado quanto no interior quente, porque a equipe, de tremenda eficiência, não para de servir cervejas e petiscos até que você consiga a tão sonhada mesa. É preciso ver como o lugar fica (veja as fotos)… Não importa se você chega às 12 horas ou às 15 horas, o desejo tumultuado não cessa nesse canto improvável.

No bar, esperando… Vamos a um dos destaques culinários do estabelecimento, o polvo com bacon, manteiga pura, azeite, limão e coentro. Excelente na culinária e no prazer. O chef Thomas Troisgros me surpreende por watsapp e me recomenda apaixonadamente os mexilhões com manteiga de escargot (estilo bourguignonne: cebola, alho, salsa…) e, é claro, uma receita inesquecível.

O barulho, as risadas, as fontes intermináveis e a vertigem da birrerie recriam uma kermesse que leva a gourmanderie a um descontrole. É hora de atacar o bacalhau, um dos pilares da taberna. Evito a receita mais opulenta, o Zé do Pipo, um bicho com leite, batata e maionese (voltarei), e, por sugestão de Campos, optamos pelo lagareiro, o mais tradicional da casa, um monumento frito, com aquele toque malandro de sal – algo de que temos sido privados em nome da sutileza na culinária mais refinada – e acompanhado de legumes (brócolis, cebola, batata, alho, ovo cozido, azeitona preta e até palmito). Um banquete.

João Paulo não quer que eu vá embora sem experimentar sua famosa rabada, uma tradição brasileira pura, com uma robustez equilibrada. E ainda, em um capricho, o polvo com a mesma receita do bacalhau, por que não?

É preciso um cardume de cotoveladas e contorcionismos para sair do lugar – que custa apenas cerca de 25 euros por pessoa – e ainda passar pela muralha humana que se aglomera jovialmente na varanda para voltar ao pesado sol de inverno do Rio.

Velho Adonis
R. São Luiz Gonzaga, 2156
Benfica, Rio de Janeiro (Brasil)
Teléfono: (21) 2026 4186
Cierra Lunes
Precio medio: 25 €